Página Inicial Data de criação : 08/03/21 Última actualização : 08/04/07 05:24 / 25 Artigos publicados
 

O Fado  (Geral) Inserido Friday 21 March 2008 20:16

                                                                                      

"O Fado é a cantiga que define um povo. Melancolica e apaixonada, como o temperamento da raça que o deu à luz, ela tem na sua toada sonolenta alguma coisa de magoado em que transluz toda uma epopeia roxa de saudade. Da antiga tradição aventureira e sonhadora que nos tem vindo pelos seculos fora ate estacar na miseria inérte d'hoj'em dia, é ela o grito mais fundo e mais bem lançado que da alma de uma nacionalidade tem saido -- grito que só se dá a sós com o coração, grito intimo de tortura e descalabro de ambições. A' ventura pelos mundos de Cristo, sacola ao ombro e bordão de peregrino a quem nada preocupa, -- peregrino da ilusão -- o portugues leva sempre nos labios a doce cantiga do Fado, como balsamo para todas as magoas e incentivo à sua sensibilidade. Raça de poetas e viajeiros, não se dá conosco a fria realidade; d' olhos vendados se caminha; se amanhã não houver pão, Deus o dará; ao longe é a bruma e para ela se vai inconscientemente, não antevendo perigos, desdenhando obstaculos, abandonando conselhos da consciencia; d'ai, a valentia do portugues, a sua tenacidade, a sua ingenuidade e o seu bom fundo. Quem mal não pensa mal não cuida. O Fado foi, pois, a cantiga mais consentaneamente inventada para companheira d'este simples deixar correr que reside em nós todos. Lutas da alma, saudades de tempos idos e coisas desaparecidas, queixas d'amante desprezado, soluço amargo de uma dor oculta, tudo isso ela traduz com um sentimento pungente e doloroso. A mesma ironia é coada por lagrimas; abranda nas inflexões do lamento e em vez de irritar, sensibiliza; amolece os intuitos; quer ferir e afaga, quer apunhalar e dá a vida."

JPinho

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Fadistas da Velha Guarda  (Fadistas da velha guarda) Inserido Tuesday 25 March 2008 20:03

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Maria Severa  (Fadistas da velha guarda) Inserido Wednesday 26 March 2008 01:00

                                                      

A primeira cantadeira do fado foi Maria Severa Honofriana, nasceu em Lisboa em 1820, seu pai de etnia cigana e a mãe uma portuguesa de Ovar. De beleza exotica e cantar expressivo que conquistou os boemios da capital.
Conta-se quer Levou o fado aos bairros populares de Lisboa e a sua voz animou as noites de muitas Tertulias bairristas, tabernas ficaram famosas só pela sua presença.
Sua mocidade cheia de beleza, despertou paixões... diz-se que terão sido seus olhos aliado ao seu doce canto, atraído o Conde de Vimioso, homem garboso, foi o primeiro Cavaleiro Tauromaquico da epoca. O contraste entre a condição social destes amores, foram por si só tema de muitos fados. Leviano e mulherengo, o Conde deixa a Severa e se apaixona por uma cigana, o que deixa Severa desvairada, começa a não ter forças para lutar pelo seu amante.
Por volta de 1845, os sintomas da doença se manifestam. (A sua morte terá sido devido a tuberculose)
Severa morre pobre e abandonada num miserável bordel da Rua do Capelão, a 30 de novembro de 1846, consta que as suas últimas palavras terão sido — “Morro, sem nunca ter vivido” — tinha 26 anos.
Foi sepultada em vala comum, sem caixão, cumprindo o seu desejo

 


Fonte: (texto e imagem) "Lisboa no Guiness"
Informações completas aqui: http://lisboanoguiness.blogs.sapo.pt/tag/a+severa

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Ercilia Costa  (Fadistas da velha guarda) Inserido Wednesday 26 March 2008 14:50

                                             

No inicio do século XX, em 1902 nasceu na Costa da Caparica Ercilia Costa, filha de pescadores.
Quase por acaso tornou-se fadista. Sem experiência musical ou artística, apenas motivada pelo gosto de cantar, responde a um anúncio do Conservatorio de Lisboa, que estavam a procura de cantores para um recita no Teatro de São Carlos. Ercília foi escolhida, mas a representação acabou por não se fazer.
A sua estreia como profissional foi no retiro Ferro de Engomar, onde lançou a moda do xaile negro que as fadistas ainda hoje usam, chamavam-lhe então a “Sereia Peregrina do Fado” e também a “Santa do Fado” (por cantar de mãos postas em gesto de oração).
Em 1936 vai ao Brasil com a Companhia de Vasco Santana e Mirita Casimiro, de que foi primeira figura de cartaz, obtendo enorme sucesso.
Realiza vários espectáculos no estrangeiro, França em  1937,  EUA em 1939 acompanhada por Carlos Ramos, onde cantou no pavilhão português da Feira Internacional de Nova Iorque.
Participou igualmente em alguns filmes, e, caso raro, chegou a compor algumas das suas criações mais célebres, como o Fado da Mocidade ou O Filho Ceguinho (conhecido como o Menor da Ercília).
Voltou ainda ao Brasil (onde permanece quinze meses seguidos) na época de 1945-46, integrada na Companhia Alda Garrido.
Após a sua participação no filme Madragoa retira-se da vida artística para se dedicar ao casamento, projecto que manteve até à sua morte em 1985.


Fonte: wikipedia (http://pt.wikipedia.org/wiki/Erc%C3%ADlia_Costa)
           Lisboa no Guiness (http://lisboanoguiness.blogs.sapo.pt/69916.html)
Imagem retirada de video Youtube

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Ercilia Costa - O filho ceguinho  (Fadistas da velha guarda) Inserido Wednesday 26 March 2008 14:55


 

                         

Composição de Ercilia Costa, Fado da mocidade ou O filho ceguinho, conhecido também como o Menor da Ercília

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